A Caminho do Canadá

May 8, 2007

Na mó de baixo

Filed under: IST, Dia-a-dia, Canadá

Hoje é um dia mau, muito mau, assim para o escuro. Daqueles dias em que, além do peso normal sobre as costas, tudo conspira para que seja ainda mais complicado. De todas as maneiras possíveis e imagináveis. A última que o universo se lembrou de engendrar contra nós tem a ver com o mestrado. Como se sabe, não podemos dar início ao processo de imigração sem acabar o curso, porque precisamos dos certificados, certo? Outro dia, em conversa com a nossa orientadora, ela disse que seria muito difícil acabar até Julho porque ela não teria tempo suficiente para ler a tese e essas coisas todas. A ideia seria entregar no início de Setembro, para que a nota fosse lançada ao estilo dos antigos trabalhos finais de curso e fosse considerado o curso acabado em época especial. Até aqui, mais ou menos pacífico, não era bem o que gostaríamos, mas é razoável…

Hoje de manhã, quando me sentei no computador, resolvi dar uma volta pelo forum do nosso curso, onde descobri um documento que supostamente define os prazos para entrega e discussão das dissertações. E foi aí que descobri que tinha 2 hipóteses: ou entregava até 15 de Abril (será que ainda consigo?) e podia ter o curso acabado até 31 de Julho, ou só posso entregar até 15 de Setembro e as notas estão prontas em 31 de Dezembro. E eu só pergunto: alguém me explica de onde apareceu esse documento, como é que os orientadores não têm conhecimento dele, como é que NINGUÉM DIZ NEM SABE PORRA NENHUMA?? COMO? COMO?

Como é óbvio, 31 de Dezembro não tem jeito nenhum, estraga tudo… é preciso 1 ano para conseguir o visto, nunca poderia tentar candidatar-me à universidade e começar as aulas a tempo, isto assumindo que ao candidatar-me mais tarde ainda tivesse lugar. Maridão (quer) acredita(r) que aquele documento estabelece as regras para o próximo ano, mas eu não sei… sinceramente, não sei. Vou falar com a orientadora hoje e perguntar-lhe, mas o mais provável é ela dizer que não sabe, não tem conhecimento de nada e eu vou ficar na mesma durante tempos infindos, com vómitos, náuseas, dores de cabeça e ataques de ansiedade… Porquê eu?

February 1, 2007

Pontapé de saída

Filed under: Dia-a-dia, Canadá

É verdade, ontem demos o pontapé de saída para aquilo que a gente sabe emoticon. Fui à Aliança Francesa para fazer a prova que dita qual o módulo que nos corresponde, para começar a estudar francês para o exame. A parte escrita foi mais ou menos, consegui escrever mais do que pensava tendo em conta que só tive francês durante três anos desde o 7º até ao 9º ano. Digamos que eu acabei o 9º ano com 15 anos e nunca mais voltei a usar o francês, pelo que se pode ver a minha proficiência emoticon. A parte oral foi pior, afinal pensando bem acho que nunca falei francês na vida. O mais parecido seria ler os textos na sala de aula, porque eu até lia bem e ninguém se voluntariava. E foi nesta parte que eu senti algo que nunca tinha sentido antes e que me impressionou bastante.

Eu leio vários blogs de pessoal que está no Canadá, outros que estão quase lá e outros que ainda estão mais atrás, como nós. Já tinha lido sobre a sensação aflitiva de até se perceber o que alguém diz mas não se conseguir dizer quase nada, não se conseguir alinhavar uma conversa decente, não se conseguir exprimir aquilo que se pensa. E isso aconteceu-me ontem. O professor que analisou o meu exame falou francês durante todo o tempo e eu consegui perceber absolutamente tudo o que ele disse, tudo, tudo. Mas parecia uma parvinha, não conseguia dizer nada a não ser oui e abanar a cabeça e mesmo que tivesse algo para dizer levava tanto tempo a tentar pescar as palavras que já o senhor tinha passado para o assunto seguinte. E digo-vos, é muito diferente ler e sentir na pele. Foi uma sensação tão impressionante que quando acabei a inscrição telefonei logo para maridão a contar-lhe, porque fiquei mesmo impressionada.

E foi assim o pontapé de saída. Ah, é verdade, fiquei no módulo 3 e vou ter aulas às segundas e quartas das 9h às 12h, até quase ao fim do Março. Segundo disse o senhor, vou ter algumas dificuldades na conversação ao início, mas não poderia ir para um módulo mais baixo porque isso seria desmotivante para mim (estão a ver? eu percebi tudinho o que o senhor disse). Já estive a ver os livros e parece-me que a comunicação tem um papel importante, que é exactamente o que interessa. Para a semana logo confirmo…

October 16, 2006

O tema de sempre

Filed under: Canadá

Canada flag

Há muito que não escrevo algo sobre o tema de sempre. Na verdade, até evito, porque já é suficiente passarmos o tempo a falar disso. Mas pronto, para variar, vou falar um pouco sobre isso. Hoje de manhã, quando estava na minha passagem periódica pelo site do CIC, reparei que houve alterações no processo via Quebec. As regras que fazem a selecção dos trabalhadores qualificados foram alteradas no sentido de melhor traduzirem as necessidades da província e entraram em vigor em 16 de Outubro. Essas alterações podem ser visíveis no teste online que permite aos candidatos saberem se satisfazem os pré-requisitos e se podem submeter uma candidatura oficial. Basicamente, as alterações visam permitir a selecção de candidatos que não possuam qualificação universitária mas que, apesar disso, sejam necessários no Quebec. No site Immigration-Québec, é possível consultar o comunicado oficial sobre estas alterações, assim como uma lista das formações aceites e das respectivas pontuações para o processo.

Afinal, blog também é informação… :)

June 27, 2006

Canadian houses

Filed under: Canadá

Ontem encontrei um link muito engraçado, no qual se podem consultar plantas de casas ao estilo canadiano. Fiz a pesquisa por causa de um conversa sobre casas e decoração que tivémos cá em casa noutro dia, motivada pelo facto de as pessoas inconscientemente nos pressionarem cada vez mais: "então, e quando é que mudam de casa, essa não interessa nada, ao pé de mim há umas tão jeitosas, grandes e assim.." emoticon
Mas pronto, fica o link para quem quiser dar uma vista de olhos, mais que não seja por curiosidade:Global House Plans. Divirtam-se!

May 7, 2006

Sinais do mundo

Filed under: Dia-a-dia, Canadá

Esta era uma expressão muito usada pelos antigos, principalmente no interior algarvio. Chamava-se sinais do mundo a tudo aquilo que estivesse relacionado com algo que uma pessoa planeasse ou quisessse e que ocorresse de forma inesperada e altamente improvável. No entender dos antigos, isso era interpretado como um sinal favorável no sentido daquilo que se pretendia. Um exemplo concreto: quando alguém fazia uma oração pedindo por algo, se ao acabar a oração ouvisse um ruído altamente improvável (tipo, já é de noite e ouve um pássaro cantar), isso era um sinal do mundo que indicava que iria obter o que tinha pedido.

Bom, quando nós começámos a pensar a sério sobre esta aventura de emigrar e Canadá e começámos a pesquisar a sério, tivémos um sinal do mundo. Um belo dia, eu estava a arrumar a minha carteira (sim, porque eu arrumo as moedas na carteira em divisórias, moedas até €0,10 para um lado, moedas de €0,20 e €0,50 para outro e por fim as moedas de €1 e €2) quando, ao pegar numa das moedas escuras, me pareceu diferente das outras. Qual o meu espanto quando olho para ela e vejo que é um cêntimo… canadiano?! Qual a probabilidade de em Portugal se encontrar um cêntimo canadiano? Ainda por cima, outro dia estive a pesquisar sobre o dinheiro canadiano e conclui que a única que inclui a maple leaf é mesma a moeda de 1 cêntimo.

Mas pronto, dinheiro é dinheiro, viaja muito, enfim, a probabilidade é baixa mas (pode-se considerar que) não é assim tão inverosímil. Mas nesta sexta-feira aconteceu-nos uma exponencialmente muito mais inverosímil!!! Senão vejam: eu e maridão íamos de carro ao IST porque tínhamos perdido a password do sistema informático interno, no qual se fazem inscrições para testes e outros vários actos burocráticos do género. Fomos de manhã cedo, o que significa que apanhámos um bocado de trânsito, e como a circulação estava atribulada eu mantive-me em silêncio para não desconcentrar o condutor. Lá vou eu, olhando para os lados, para os outros carros, para os prédios… olho para a frente e penso "Temos um carro estrangeiro à nossa frente", pois a matrícula não era igual às portuguesas. Olho novamente para o lado, mas quando desvio o olhar leio qualquer coisa na placa. Abano a cabeça e penso "Raios, isto anda mesmo mal, uma pessoa só pensa nisso, só pensa nisso… até li Ontario na matrícula do carro da frente!!". Nisto, caio em mim e lembro-me que aquela matrícula não era europeia de certeza, visto que as matrículas na União Europeia estão uniformizadas em termos de aspecto. Olho novamente para a frente e leio "Ontario" na chapa de matrícula. NÃO PODE! Inclino-me para a frente, baixo os óculos escuros, foco três vezes a vista… e a matrícula é mesmo de Ontário!!! NÃO PODE! Eu estou em Portugal e vai à minha frente na estrada um carro canadiano??!?! NÃO PODE! Sacudi maridão e quase gritei, com os óculos escuros ainda levantados (e um completo ar de parva): "Temos um carro de Ontário à nossa frente!". "Temos o quê?", respondeu ele que, concentrado na condução, nem tinha reparado. "Temos um carro de Ontário à nossa frente, olha, olha!". Ele acelerou mais um bocadinho, juntou-se ao carro e pudemos confirmar que eu não estava a ter alucinações, lá estavam as maiúsculas verdes e fininhas, ONTARIO. Olhámos um para o outro completamente estupefactos. Qual a probabilidade de circular de carro em Lisboa e ter precisamente à sua frente uma viatura além-Atlântico??

Não preciso que me digam, a probabilidade é muito baixa. Agora se ou o que é que isso significa…